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terça-feira, 26 de abril de 2011

A Copa do Mundo e o Patrimonialismo Político


As obras públicas realizadas para a Copa do Mundo de 2014 estão muito atrasadas. Este atraso vai acabar justificando gastos incomensuráveis de recursos públicos para acabar ou reformar estádios de futebol e obras de infra-estrutura para receber os turistas.
Para a realização desta Copa do Mundo, os locais-sedes escolhidos pela CBF foram praticamente obrigados a realizarem vultuosas obras em estádios de futebol para adequá-los às exigências da FIFA. Apesar de o futebol profissional ser gerido por entidades privadas, praticamente todas as obras em estádios estão sendo financiadas pelo Governo Federal, mesmo em locais que não há times de futebol profissional organizado, e não possui estrutura adequada para receber uma quantidade de turistas.
No Estado de São Paulo, o governo federal vai financiar a construção do estádio para o Corinthians em um terreno sobre dutos da Petrobras; em Natal, vão construir um estádio sobre dunas, além disso não há times de grande nível para atuar no estádio após o evento de futebol; em Mato Grosso e Manaus não há times de grande nível para atuar nos estádios, quando acabarem os jogos da Copa do Mundo.  No Rio de Janeiro destruíram as arquibancadas do Maracanã para reconstruí-las ao custo de mais 1 bilhão de reais. E por ai vai...
Quem fiscaliza? Quem proíbe este desperdício de dinheiro público do Estado? Resposta, aquele que financia, ou seja, uma parte do Estado fiscaliza a outra parte do Estado, o resultado disso é a corrupção e a impunidade.
Este é somente um exemplo de uma prática comum no Brasil. O Estado republicano democrático é uma fachada ilusória para legitimar o histórico patrimonialismo, presente desde os primeiros momentos de colonização do território.

Esta a tradição, segundo o pensador brasileiro Sergio Buarque de Holanda, em sua obra clássica “Raízes do Brasil”, vem da cultura do “homem cordial”, termo utilizado pelo pensador para explicar, porque as relações entre cidadão e Estado são dominadas pelo clientelismo e a pela troca de favores, que acabam culminando na formação do Estado Patrimonialista.
Portanto, a Copa do Mundo no Brasil nem começou, mas tem o grande favorito: o Patrimonialismo. Viva a elite política e econômica que cria artifícios para se alimentar dos recursos do Estado, justifica tal fato através de leis criadas para defendê-la, e que quando acusada, tem praticamente todo o corpo jurídico sobre o seu controle para se julgar inocente.
Brasil!!!!!!!!!!!!!!!!

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