A sexualidade é a linguagem do cotidiano. Utilizamos de termos ligados ao sexo em diversas de nossas conversas corriqueiras. O sexo que em outrora já fez parte da vida íntima, é atualmente cada vez mais público. As músicas, os filmes, a moda, as propagandas, e também a educação.Na sala de aula, é muito comum professores associarem o tema de suas aulas com sexo, ou fazerem piadas de duplo sentido como estratégia para chamar a atenção das turmas. Portanto, o sexo está presente em nosso cotidiano das mais diversas formas. Todavia, boa parte da sociedade tem ignorado. E assuntos como a gravidez adolescente, e consequente maternidade e paternidade juvenil, tem sido associados a perspectivas morais bem conservadoras.
Nas escolas de uma forma geral, quando uma menina fica grávida, normalmente ela é chamada de vagabunda e irresponsável. Comentários, como "mais uma mãe solteira no mundo", ou, "por que está menina não fechou as pernas?" são muito comuns.Dentro desta perspectiva profundamente fundamentada em preconceitos e moralidades ultrapassadas, a Secretária Estadual de Educação do Rio de Janeiro incluiu no programa GIDE, um sistema avaliação de desempenho das escolas: "índice de estudantes grávidas". Este programa irá pagar gratificações para os profissionais de ensino das escolas, que atingirem as metas do GIDE. Um índice elevado de estudantes gravidas irá prejudicar a avaliação global da escola, e poderá fazer com que os profissionais do ensino tenham uma gratificação menor. Portanto, para a SEEDUC os profissionais do ensino, além de se preocuparem com suas aulas, devem se preocupar também com a reprodução de suas alunas.
O propósito é preconceituoso e ultrapassado, pois reforça a ideia da maternidade como uma responsabilidade exclusivamente da menina, pois reforça a irresponsabilidade do pai perante uma criança fora de uma relação como casamento. O preconceito social reforça isso no imaginário popular tratando e falando da mãe adolescente, e praticamente ignorando que possivelmente há um pai adolescente, também.
Esta proposta de controlar a reprodução das adolescentes é também esquizofrênico, anacrônico, pois esquece que gravidez antes dos 18 anos sempre ocorreu ao longo da história, sendo que as meninas, que se tornavam adultas mais cedo, normalmente casavam.É importante salientar que as escolas destinadas a educação pública no estado do Rio de Janeiro, são destinadas, sobretudo as classes média, e baixa da sociedade. Neste sentido, há uma ideia de controle populacional presente de forma intrínseca no conteúdo desta proposta. O que me leva a crer, que o grande propósito de preocupação das pessoas, não é o sexo, ou gravidez, mas sim possivelmente o casamento.
É precisamos de um programa de educação de sexual nas escolas sim, mas que supere os preconceitos presentes na religião, na família e na própria escola. A sexualidade faz parte do comportamento social, cultural, político e econômico das sociedades. E isso é indiscutível.

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